Super Mario, The Legend of Zelda e Pokémon marcaram gerações de jogadores. Talvez muita gente não saiba, mas a Nintendo chegou aos videogames depois de passar por negócios bem diferentes. Fundada em 1889, no Japão, a empresa começou fabricando cartas Hanafuda e, ao longo de sua trajetória, precisou experimentar, errar e encontrar novas oportunidades.
Décadas depois, aquela fabricante de cartas se tornou uma das marcas mais conhecidas dos videogames. O caminho até lá deixou lições sobre oportunidades, inovação, marketing e riscos. Chega de enrolação, vamos às nossas lições!
1. Arrisque-se e experimente algo novo
Entrar no mercado de jogos eletrônicos significava apostar em algo ainda pouco explorado pela própria Nintendo. No final dos anos 1970, a empresa decidiu construir sua presença nesse setor, em meio ao crescimento da indústria de videogames. Em menos de dez anos, a Nintendo já ocupava posição de destaque no mercado. O resultado mostra como aquela mudança de direção poderia transformar completamente o rumo do negócio.
Erros e iniciativas sem sucesso também fizeram parte desse caminho. Isso não diminui o valor das tentativas anteriores; mostra como cada aposta pode revelar novas possibilidades. No mundo dos negócios, ficar preso ao que já funciona pode ser tão arriscado quanto experimentar algo novo.
2. Resiliência e adaptação
O Wii U chegou ao mercado tentando repetir a fórmula de sucesso do Wii, mas o resultado ficou bem abaixo do esperado. A proposta não conquistou o público da mesma forma e mostrou que repetir uma fórmula conhecida não garante o mesmo resultado. Com o Switch, a empresa seguiu outro caminho: apresentou uma proposta diferente, combinando o uso doméstico com a possibilidade de jogar fora de casa. A mudança ajudou a recuperar espaço e transformar um período difícil em uma nova oportunidade.
Fracassos fazem parte de qualquer negócio. Reconhecer quando a estratégia não funciona e ter disposição para mudar pode ser mais importante do que insistir em uma ideia apenas porque ela já deu certo.
3. Entendimento profundo do consumidor
Pandemia não nos deixou boas lembranças. O dia a dia ficou difícil, os encontros presenciais desapareceram e até fazer planos para os próximos dias se tornou complicado. Animal Crossing: New Horizons chegou nesse período. Enquanto vários títulos de games foram adiados, a Nintendo manteve o lançamento. Cuidar do próprio espaço, conhecer animais falantes, decorar a casa, plantar e pescar formavam a base da experiência. Sair de casa e encontrar amigos havia se tornado complicado. Dentro do jogo, dava para visitar outras ilhas, conversar e manter contato mesmo à distância. Árvores cresciam, eventos aconteciam e personagens lembravam do jogador depois de alguns dias.
Pequenas tarefas, encontros e acontecimentos ganharam outro peso enquanto tanta coisa na vida real estava parada ou imprevisível. O jogo não foi criado por causa da pandemia, mas seu público encontrou nele algo que fazia falta naquele período.
4. Nostalgia como estratégia de negócio
Pagar o preço de um lançamento pode pesar no bolso de quem só quer reviver jogos antigos. Mesmo com tantas novidades no mercado, títulos que marcaram época continuam despertando interesse.
Em 2016, a Nintendo trouxe de volta versões compactas do NES e do Super Nintendo, com jogos clássicos incluídos. A procura foi tão forte que os aparelhos esgotaram rapidamente, mostrando que esses consoles ainda tinham valor para o público.
O plano ia além das vendas. Em 2017, o então presidente da Nintendo, Tatsumi Kimishima, explicou que os produtos retrô também ajudavam a chamar a atenção para o Switch. O interesse pelos clássicos podia levar os consumidores a olhar com mais curiosidade para o console mais recente da marca. Estratégia aproximava produtos de épocas diferentes e mantinha os jogos clássicos relevantes enquanto a Nintendo apresentava sua nova geração de consoles.
5. Assinaturas e novas fontes de receita
O console já está na casa do consumidor, os jogos foram comprados e a Nintendo recebeu por essas vendas. Mas a relação comercial não precisa parar por aí. Com o Nintendo Switch Online, a empresa passou a oferecer benefícios mediante assinatura, incluindo partidas online em jogos compatíveis, armazenamento de dados na nuvem e acesso a títulos clássicos, conforme o plano escolhido. A loja digital e os conteúdos adicionais abrem outras possibilidades de compra dentro desse mesmo ecossistema.
Esse modelo permite receber pagamentos contínuos: enquanto o jogador mantiver o serviço, o faturamento poderá continuar sem depender da venda de outro console. Já os jogos digitais e os conteúdos extras permitem ampliar as vendas para quem possui o aparelho.
Manter o interesse do cliente depois da compra inicial é o grande desafio. Oferecer razões para continuar assinando ou adquirir novos conteúdos ajuda a prolongar essa relação comercial.
6. Amplie seu alcance com parcerias estratégicas
Gameplay, análises e transmissões ao vivo mantêm os jogos em circulação nas redes sociais, inclusive depois do lançamento. Cada criador apresenta os títulos à própria audiência, com opiniões e experiências que podem despertar interesse. Alcançar todos os públicos diretamente pelos canais oficiais nas redes sociais é um desafio para a marca. As parcerias com influenciadores e criadores de conteúdo ajudam a superar esse limite, levando seus jogos a comunidades diferentes por meio de pessoas que já conquistaram a atenção desses grupos.
Para outros negócios, fica a lição: parcerias estratégicas podem abrir portas para públicos que a divulgação própria dificilmente alcançaria sozinha.

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